proposição na qual a ação performática localiza-se no deslocamento das relações na rede social, sobre as possibilidades de ações dos espectadores com vista a compreensão de si próprios através da construção de eventos e situações
imagem, som, escritos, música que de algum modo expresse o seu PS e até o dia 20 de novembro são esperados
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
PS REDE
convidamos para um trabalho artístico colaborativo.
No nosso endereço no facebook coletivo geperformancepoa voce pode expressar o seu PS, postando em qualquer formato (imagem, som, música, escritos...)
de 1 a 20 de novembro. trata-se de uma reflexão sobre comunicação performática que visa responder a perguntas tais como ; e se o meio (rede socia) afeta o que gostaría de dizer? se os PS dos demais afetam o meu PS? sou instada(o)a postar mais de um PS? expresso nesse meio o que desejo/quero/esqueci?
PS
“antes que eu me esqueça
O que eu não disse
Quando não quero dizer mais nada
Não fui no local combinado
Houve um atraso
Ou o texto era longo
e não caberia num postal
ou se você estivesse na frente do computador?”
PS REDE
Você gostaria de participar de um trabalho artístico ?
PS REDE trata-se de um desdobramento da performance PS do coletivo de Porto Alegre – Geperformancepoa - realizada no Memorial do Rio Grande do Sul em junho de 2011 e que agora se desloca para as redes virtuais.
VOCÊ QUER? POSTE SEU PS!!
No nosso endereço no facebook coletivo geperformancepoa voce pode expressar o seu PS, postando em qualquer formato (imagem, som, música, escritos...)
de 1 a 20 de novembro. trata-se de uma reflexão sobre comunicação performática que visa responder a perguntas tais como ; e se o meio (rede socia) afeta o que gostaría de dizer? se os PS dos demais afetam o meu PS? sou instada(o)a postar mais de um PS? expresso nesse meio o que desejo/quero/esqueci?
PS
“antes que eu me esqueça
O que eu não disse
Quando não quero dizer mais nada
Não fui no local combinado
Houve um atraso
Ou o texto era longo
e não caberia num postal
ou se você estivesse na frente do computador?”
PS REDE
Você gostaria de participar de um trabalho artístico ?
PS REDE trata-se de um desdobramento da performance PS do coletivo de Porto Alegre – Geperformancepoa - realizada no Memorial do Rio Grande do Sul em junho de 2011 e que agora se desloca para as redes virtuais.
VOCÊ QUER? POSTE SEU PS!!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Exposição Galeria Regresso e GEPERFORMANCEPOA convida
10 de junho
19h - Coquetel de abertura da Galeria Regresso
MEMORIAL DO RIO GRANDE DO SUL
Visitação - 11de junho a 03 de julho de 2011
De terças a sábados das 10 às 18h
MOSTRA DE ARTISTAS DO REINO UNIDO E BRASIL
GEPERFORMANCEPOA convida
11 de junho
Pessoas como geografia. A partir deste conceito e englobando
questões como efemeridade e deslocamento, que se desenhou a
exposição Galeria Regresso. A mostra reúne artistas em sua maioria
radicados em Londres e que estudaram, estudam ou lecionam na Royal
radicados em Londres e que estudaram, estudam ou lecionam na Royal
College of Art. As obras foram enviadas pelo correio, remetendo à
antiga função do prédio do Memorial do RS como sede dos Correios e
Telégrafos e aproximando ao conceito de Arte Postal.
Galeria Regresso também traz obras de artistas brasileiros em resposta à proposta da Galeria Progresso, e que em suas edições anteriores consistiu em exposições em um apartamento vazio, uma loja fechada e um hotel abandonado. É a quarta edição do projeto que visa utilizar espaços alternativos para as Artes Visuais,
Galeria Regresso também traz obras de artistas brasileiros em resposta à proposta da Galeria Progresso, e que em suas edições anteriores consistiu em exposições em um apartamento vazio, uma loja fechada e um hotel abandonado. É a quarta edição do projeto que visa utilizar espaços alternativos para as Artes Visuais,
Pablo Ferretti
Organizador da Mostra
Alastair Moody, Alicia Paz, Amilcar Pinto
Aya Fukami, Cintia Guimarães, Cristina Cojanu
Federico Olivari, Frederico Pellachin, Gema Lowe
Geperformancepoa, Guler Ates, Guy Harvey
James Ryan, Jane Cheadle, Jasper Joffe,
John Strutton, Lara Viana, Manoelo Afonso
Marina Camargo, Murilo Biff, Nancy de Melo
Nik Neves, Oscar Murillo, Pablo Ferretti
Peter Harris, Renata Bandeira, Roberta Vaz
Ruth Murray, Sabina Donnelly, Sara Cooney
Saron Hughes, Scott O`Rourke, Si Sapsford
Simeon Banner, Thom Driver, Tom Loffill
19h30 -
P.S - Performance Geperformancepoa GEPERFORMANCEPOA convida
11 de junho
Memorial do RS
14:00
Performance
Luciana Medeiros e ações da
rede INTERARTES e Grupo ?Por Qua (GO).
14h30 - 17h30 - Colóquio ARTE CIDADE
ARQUITETURA E PERFORMANCE DAS TRANSFORMAÇÕES DAS FUNÇÕES DOS EDIFÍCIOS HISTÓRICOS
NA OCUPAÇÃO ARTÍSTICA - PROCESSOS DE DESTERRITORIALIZAÇÃO RIZOMA E MEMÓRIA
Isabella Menegazzo - Mestranda em História - FH- (UFG/GO)
Luciana Medeiros - Secretaria Municipal de Educação-Goiânia/GO. Grupo de Dança ?Por Qua? (GO)
Valquíria Guimarães Doutoranda em História ( FAV/UFG)
Rosemary fritsch Brum (Vice-lider do Interartes (NPH:UFRGS)
Trata-se de pensar tanto a relação com a arquitetura num sentido mais amplo quanto colher
depoimentos de artistas sobre seus processos de ocupação do espaço urbano e, mais
especialmente, de edifícios não pensados originariamente para o e xercício da função artística,
dentro dos desafios e das características dos modos de agir na Arte Contemporânea
Coordenação da mesa: Marcio Pizarro Noronha - Coordenador Geral do INTERARTES. (UFG-FEF)
TERRITÓRIOS URBANOS E FORMAS DE REGISTRO - DO DOCUMENTAL AO FICCIONAL
Célia Varela Bezerra - Rede de Informação e Ação pelo Direito de se Alimentar. FIAN - Brasil
Kamyla Faria Maia - Faculdade do Araguaia (Goiânia/GO)
Luciana Medeiros - Secretária Municipal de Educação. Grupo de Dança ?Por qua? (GO)
Márcio Pizarro Noronha - coordenador INTERARTES (UFG-FEF)
Michel Valim - Fundação RTVE Coordenador de Imagem. UFG ASCOM/Diretor de Imagem
Relatos das experiências de artistas, documentaristas e pesquisadores na cidade de Goiânia e no estado
de Goiás. Projeção de filmes de processos de documentação artística, videos, videoclipes, making-off.
Mostra de documentários sob a coordenação de Kamylla Maia e Michel Valim
.Coordenação da mesa:Geperformancepoa -
[GALERIA REGRESSO]
PORTO ALEGRE
BRASIL
Rua Sete de Setembro, 1020. Praça da Alfândega.
Centro Histórico de Porto Alegre/RS - Brasil
Sala Múltiplos Usos
O evnto surgiu do convite de Pablo Ferretti para participarmos da Abertura da Exposição Galeria Regresso, dia 10 de junho, no Memorial do RS. Por nossa vez, convidamos o grupo de pesquisa Interartes com sede em Goiania, assim como demais artistas e teóricos.
A programação para apresentação de performance do grupo de Goiania e do Colóquio ARTE CIDADE ficou ótima. Contamos ainda com o apoio do Meme Santo de Casa Estação Cultural, Porto Alegre, RS e da Galeria Mamute, Porto Alegre, RS. Evento aberto ao público.
PROGRAMAÇÃO
P.S. na Abertura da exposição Galeria Regresso organizada por Pablo Ferretti
O GEPERFORMANCEPOA apresenta P.S. performance especialmente idealizada para a Abertura da Exposição Galeria Regresso. Esta ocorre de 10 de junho a 3 de julho, no Memorial do RS, Porto Alegre, RS.
Mostra organizada pelo artista Pablo Ferretti, reúne obras de jovens artistas, colegas que estudam ou estudaram na Inglaterra, na Royall College of Arts. Também convida alguns artistas brasileiros integrados à proposta. As obras enviadas pelo correio, dada sua natureza transitória e efêmera, englobam questões de deslocamentos e territorialidade. E referenciam a antiga função do prédio, como sede dos Correios e Telegráfos.
Nas edições em Londres, a Galeria Progresso ocupava espaços alternativos, como apartamentos. Ao promover a descentralização dos espaços culturais e gerar novos territórios para manifestações artíticas, a exposição Galeria Regresso proposta para Porto Alegre mantem essa concepção
Horário: 19 horas às 21 horas
Rua Sete de Setembro, 1020
Centro Histórico
Porto Alegre
Mostra organizada pelo artista Pablo Ferretti, reúne obras de jovens artistas, colegas que estudam ou estudaram na Inglaterra, na Royall College of Arts. Também convida alguns artistas brasileiros integrados à proposta. As obras enviadas pelo correio, dada sua natureza transitória e efêmera, englobam questões de deslocamentos e territorialidade. E referenciam a antiga função do prédio, como sede dos Correios e Telegráfos.
Nas edições em Londres, a Galeria Progresso ocupava espaços alternativos, como apartamentos. Ao promover a descentralização dos espaços culturais e gerar novos territórios para manifestações artíticas, a exposição Galeria Regresso proposta para Porto Alegre mantem essa concepção
Horário: 19 horas às 21 horas
Rua Sete de Setembro, 1020
Centro Histórico
Porto Alegre
sexta-feira, 1 de abril de 2011
texto Corpo heterotopos: ação, projeção, ocupação na pesquisa do geperformancepoa
O projeto Corpos heterotopos: ação, projeção, ocupação foi concebido inicialmente para ocupação do espaço de exposição do Museu de Arte Contemporânea de Jataí/GO, Brasil, no Programa de Exposições do edital 2009[1], com o tema “Como você ocuparia/desocuparia este lugar? – ou ainda “Qualquer um poderia ter nascido Sophie Calle...”
Projeção em tempo real em 2009, desde o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
Projeção em tempo real em 2009, desde o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
Corpos heterotopos: ação, projeção, ocupação.
Niura Borges[1]
Patricia Soso[2]
Rosemary Brum[3]
O presente texto apresenta reflexões sobre as produções artísticas Alice, Hapt, Paragem, desenvolvidas no projeto Corpos Heterotopos: ação, projeção, ocupação, concebido pelo Grupo de Pesquisa de Performance de Porto Alegre/RS, geperformancepoa.[4]
Corpos heterotopos: ação, projeção, ocupação nasceu de um intenso processo de pesquisa e criação do coletivo no ano de 2009, configurando-se em uma série de proposições artísticas que alcançam situações performáticas distintas e conceitos operatórios aproximativos.[5]
As produções, aqui analisadas, exploram situações dos corpos em performance entre espaço físico e virtual, em presença e não-presença, proximidades e distanciamentos, manifestos em experiência heterotópica[6].
O projeto Corpos heterotopos: ação, projeção, ocupação foi concebido inicialmente para ocupação do espaço de exposição do Museu de Arte Contemporânea de Jataí/GO, Brasil, no Programa de Exposições do edital 2009[7], com o tema “Como você ocuparia/desocuparia este lugar? – ou ainda “Qualquer um poderia ter nascido Sophie Calle...”
Nas discussões acerca do tema ocupação, a distância geográfica entre espaços territoriais, Porto Alegre/RS e Jataí/GO, tornou-se elemento de destaque e motivador, provocando a pesquisa e criação artística em torno de dispositivos e formatos de ocupação que pudessem ultrapassar a experiência do corpo em performance em território localizado.
O projeto expandiu-se atravessou as paredes fechadas do Museu e alcançou formas de ocupação extra-muros, atingindo espaços urbanos, públicos e privados, vindo constituir-se em ações onde corpos e espaços atingem dimensões físicas e virtuais, com atuações simultâneas, em ações realizadas em Porto Alegre , no Museu Joaquim José Felizardo, Museu de Porto Alegre[8], no Museu de Arte Contemporânea de Jataí, e em espaço urbano e privado.
Em Alice, dois corpos lançam-se na aventura da descoberta do espaço em performances interligados ao vídeo. A ação inicia quando um corpo(videoperformer Niura), com a câmera de video acoplada, caminha sobre folhas secas com estalar quebradiço. Em seguida, outro corpo(performer Patricia), parado no meio de pequenas gramíneas verdes, está a sua espera. Neste momento em busca do encontro com o inesperado, com o acaso, inicia-se o jogo entre os dois corpos e dois espaços. A videoperformer Niura acompanha gravando toda a ação em plano de filmagem de ação contínua, plano-seqüência. Ora se detém sobre as atuações da performer Patrícia, ora experimenta seus atos na imagem-video. Em atuações conjuntas, os dois corpos desvendam os espaços.
Na segunda performance, Hapt, o corpo é tomado como medida das coisas. Um corpo (performer Patricia) adere a parede externa da casa[9], Museu de Porto Alegre e a percorre deslizando, contornando toda sua extensão. A ação é simultaneamente acompanhada por um outro corpo (videoperformer Niura) que registra as ações, conjugando e alternando planos de câmera, angulações e enquadramentos.
Em Paragem a atuação do corpo em exercício de “paragem” no torreão do Museu de Porto Alegre, pode ser fruido simultaneamente em espaços públicos e privados. O evento foi divulgado com dia e hora do acontecimento, a ser acessado pelo site www.niuraborges.com.br, através de link aberto, por trinta minutos, pela empresa Pública de Processamento de Dados de Porto Alegre / RS – PROCEMPA. O sistema telemático[10] possibilitou a toda e qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, situada em local distante, acompanhar “ao vivo” a atuação da performer Patricia em Paragem.
Alice, Hapt e Paragem instituem o desenvolvimento da ação performática em dois domínios simultaneamente, o espaço-tempo real e espaço virtual da tecnologia.
Em Alice e Hapt os corpos-video existindo em presença-tele atingiram o processo de ocupação por suas virtualidades – o acontecer aqui e o acontecer acolá, com as gravações projetadas no Museu de Arte Contemporânea de Jataí. O dar-se a ver no exercício de performance em tempo diferido, em presença-tele projetada e atualizada.
Com modo singular de telepresença[11], - aquele em que a fruição da imagem pelo espectador ocorre simultaneamente ao exercício do aqui-agora da performance, Paragem abriu a relação entre o espectador e a performance na dimensão específica da temporalidade – inaugurando, atos em estado “paragem”, do espectador e do performer. Relação aproximativa, em ato de parada, entre olhante e olhado.
O momento de atuação da performer na resistência ao movimento do corpo, unindo a “paragem” do espectador, pelo momento do ver, o corte no fluxo temporal, a inversão dos ritmos corporais preestabelecidos, abrindo a porta da sensibilidade a percepção, com gesto, pensamento e sentimento.
Pensando como Deleuze[12], a imagem-movimento, vídeo, com a qualidade de imagem-tempo, nos permite retirar a imagem da planitude que a trata como representação, como duplo, imagem especular.
A imagem-vídeo oferece o tempo e abre qualidades à experiência performática, uma possibilidade da vivência em um mundo singular, não o duplo do mundo real, mas um mundo em que o corpo se expande, se ramifica, se faz presente por ações e projeções. “As imagens – as coisas visuais – são sempre já lugares: elas só aparecem como paradoxos em atos nos quais as coordenadas espaciais se rompem, se abrem a nós e acabam por se abrir em nós e com isso nos incorporar.”[13]
A imagem-tempo, pelo movimento, abre um sentido outro à percepção, aproximando a visão do tato. Como considera Didi Hubermann, constitui-se do derrame pulsional, onde dos abismos do olhar se passa ao ser do corpo. O sentido tátil do olhar, sua dimensão háptica, fazendo grudar o visível na dimensão da carne, do sensível, presentificando o delírio da pele na imagem. [14]
Se a percepção tem a função de “trazer o mundo aqui”, ou seja, dar existência à coisa, a tecnologia vídeo, imagem-tempo-movimento, intensifica esta função. O espaço virtual da tecnologia abre formas de presentificaçao para o corpo. “Os sistemas de realidade virtual transmitem mais que imagens: uma quase-presença.”
Os corpos tangíveis desdobram-se “estamos, ao mesmo tempo, aqui e lá”.[15] O que nos fazem refletir sobre as interdependências, intercruzamentos da tecnologia-corpo, e vice-versa, e, aqui, sobre os limites que constituem a espacialidade. “Nós não podemos mais confinar a corporificação ao corpo, não podemos mais contê-la dentro da pele orgânica, porque as técnicas contemporâneas facilitam a dissolução da distinção mundo-corpo (uma não divisão)…” [16]
Se “presença”, nos remete ao conceito do “estar juntos” em proximidade em tempo e espaço simultâneo, lançamos o corpo sobre espaços abrindo a presença multiplicada, aqui e lá simultaneamente, em deslizamento continuo, no vai e vem, para dentro e para fora e vice e versa, inventando e reinvintando um outro modo de experienciar o corpo em performance. “Redimensionando a interatividade dos corpos, misturando unipresença física e pluri-presença”, conforme Weissberg.[17]
Atingimos formas de presença em que o corpo se desgarra de sua fisicalidade e voa para além de uma extensão dada. Presença força, presença projetada, presença encarnada, desdobrando-se aqui e lá, visível, sensível e tangível, habitando interior e exterior, dentro e fora, manifestando-se na experiência em sua dimensão heterotópica. Corpos e espaços atravessados pelos investimentos afetivos e emocionais do coletivo.
[1] Videoartista. Mestre em Artes Visuais (UFRGS). Pesquisadora CNPq Interartes: processos e sistemas interartísticos e estudos de performance: linguagem visual, sonora e audiovisual, UFG/GO. Atua principalmente nas seguintes áreas: Videoarte, Audiovisual Documental, Experimental e Performance.
[2] Atriz e performer. Formada pela Scuola di Teatro Arsenale, em Milão/Itália. Possui experiência profissional Internacional. Pesquisadora CNPq Interartes: processos e sistemas interartísticos e estudos de performance: linguagem visual, sonora e audiovisual, UFG/GO. Formada em Ciências Jurídicas e Sociais pela UNISINOS;
[3] Historiadora e performer. Doutora em História pela PUC/RS. Mestre em Sociologia pela UFRGS. Socióloga do NPH (UFRGS) Trabalha com estudos de Historia oral e Migraçao.
[4] Coletivo autônomo de formação multidisciplinar. Formado pelas artistas e pesquisadoras, Fernanda Stein (dança) Niura Borges (artes visuais) Patricia Soso (teatro) e Rosemary Brum (história)
[5] O projeto contou com as produções Eu Estou Aqui, Inserção de sons na programação de rádio e Mapas.
[6] O termo é utilizado a partir da acepção de Michel Foucault: a heterotopia como uma organização espacial com certa propriedade de estar em relação com todas as outras organizações espaciais e com uma certa sinergia capaz de produzir um campo espacial nômade. Foucault, Michel. Of other spaces:uf utopias and heterotopias. In LEACH,Neil. Rethinking architeture: a reader in cultural theory. London: Routledge, 2002.
[7] Curadoria do antropólogo, historiador, Prof. Dr. Marcio Pizarro, com o tema “Como você ocuparia/desocuparia este lugar? – ou ainda “Qualquer um poderia ter nascido Sophie Calle...”
[8] Espaço físico escolhido para a atuação por qualidades afetivo-arquitetônicas e históricas.
[9] Construído em meados do século XIX, originariamente foi residência da família Lopo Gonçalves.
[10] A telemática pode ser definida como a área do conhecimento humano que reúne um conjunto e o produto da adequada combinação das tecnologias associadas à eletrônica, informática e telecomunicações. aplicados aos sistemas de comunicação e que se caracteriza pelo estudo das técnicas para geração, tratamento e transmissão da informação, na qual estão preservadas as características de ambas, porém apresentando novos produtos derivados destas.
[11] Foi Robert Heinlein, em seu romance Waldo, da década de 40, quem primeiro utilizou o conceito de telepresença. Tele-presença, definida aqui, como uma presença por projeção imagética.
[12] DELEUZE, Gilles. Cinema II: a imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 1990.
[13] DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. Editora 34:São Paulo. 1998.
[14] idem.
[15] Lévy, Pierre. O que é o Virtual?. Rio de Janeiro: Editora 34,1996. p. 27
[16] HANSEN, Mark. B. N. Bodies in Code. Interfaces with digital media. New York , London . Routledge, Taylor and Francis Group. 2006. p.94.
[1] Curadoria do antropólogo, historiador, Prof. Dr. Marcio Pizarro, com o tema “Como você ocuparia/desocuparia este lugar? – ou ainda “Qualquer um poderia ter nascido Sophie Calle...”
texto Tambor na pesquisa do Geperformancepoa
Performance criada para o curso de Extensão Africanidades: história, arte e cultura, promovido pelo Núcleo de Pesquisa em História da UFRGS, e realizado no Memorial do Rio Grande do Sul, Brasil, 2009. Posterormente apresentado em 2010 no Odomodê-Instituto Cultural Afro-Sul, Rio Grande do Sul, Brasil.
tambor
Fernanda Stein[1]
Patrícia Soso
Rosemary Brum
Tambor trata da questão das africanidades, enfocando a vinda do trabalho escravo ao Brasil e sua busca pela liberdade. Tambor é uma dance-performance que encerra um desafio: como três mulheres brasileiras e brancas, descendentes de europeus, poderiam tratar desta questão. O músico convidado foi Paulo Romeu[2].
A performance Tambor começa com o soar do tambor djambê e aos poucos surgem as três performers vindas de pontos distintos; o público é convocado a criar o espaço da ação, sendo imediatamente envolvido nela.O pesado saco de areia que nós carregamos cria trajetórias aleatórias em torno do público que, em pé, assiste à ação e onde o conceito de uma psicogeografia afetiva estabelece-se. Forma-se o círculo em torno das performers e do músico com o seu djambé, ao centro.[3]
A intensidade emocional acelera-se à medida que a ação provocada é instalada no público. Fazemos agir um conceito quando produzimos esse estado de ética onde as artistas testemunham como arquivos vivos, o processo, a ação e seus efeitos. Há zonas de desconforto e de tensão, há espessamento no presente. Quer-se fugir ao drama, mas ao mesmo tempo a atenção é toda solicitada na agoridade, há um estado de plena atenção e flutuação.
Areia aqui sugere os oceanos e caminhos da África, as trilhas de mercadores e de mercadorias até o Brasil. Areia/cotidiano; areia/alimento. A areia é símbolo, a areia que foi trazida nos porões dos navios negreiros, a areia que vem junto com mar que nos separa e que nos une. A areia como símbolo de passagem de tempo, de escoamento de tempo. A areia carregada pelos ombros e lombos de homens-mulas.
A areia começa a deixar um rastro, os sacos se esvaziam e descrevemos uma trajetória desenhada no chão, seja no piso de mármore do Memorial do RS, seja no calçamento irregular do Odomodê, causando certo sacrifício ao tato. A cartografia experimental realiza corpos alargados, em conexão com a platéia.
O espaço visto criticamente finca a escravidão na formação do povo brasileiro; é o nosso embodied transportado. Corpos em transporte, jornadas afetivas que engendraram historicamente esse mapa cultural, questionado hoje. [4]
Nicolas Bourriaud (2010), para além de sua Estética Relacional (1998), fala-nos de uma altermodern- quando alter, que significa o outro, evoca igualmente a multitude. Seria a atitude política na qual a alter-globalização é uma constelação de lutas locais que visam combater a homogeneidade mundial e cultural.
Na cena, a batida do tambor aumenta em ritmo e as performers formam um círculo em torno do homem-tambor, funcionando este como catalisador magnético, constituindo uma espécie de sistema solar. Com a exaustão, as performers pausam.
Importante aqui é o som do tambor djambé a comandar a ação. Como um lugar da palavra, do lamento. Lentamente, a batida do tambor recomeça, o espaço já é outro, está reconfigurado pelos desenhos deixados pela areia. Uma nova geografia estabeleceu-se. Ele não está mais no seu lugar de origem. É o estrangeiro.
Inicia-se, então, o carregamento de corpos. Aqui, o corpo da performer ao ser carregado com violência de um lado a outro do espaço, perde sua característica humana, simboliza o homem que oprimiu, desbravou, colonizou, impôs a sua vontade em detrimento de quaisquer outras. O corpo carregado simboliza o homem-mercadoria, o homem negro que foi visto como mão de obra para construir um mundo pensado pelo branco. O homem que era visto somente como mãos e pés, um elemento desconectado de vontade, sem identidade, sem vontade, servindo ao homem-conquistador.
Quando o ritmo do som do tambor cresce em intensidade e provoca no corpo carregado uma mudança de atitude, acreditamos estar diante de um movimento emancipador. A performer começa a reagir e de “mercadoria” passiva passa a rebelar-se contra esta condição, criando uma atmosfera vibrante em que caça e caçadores se misturam neste universo criado pela areia e pelo som inebriante do tambor.
Premeditamos que esses elementos: movimento, corrida, som, corpos no espaço, música cada vez mais intensa conduzam a sensibilidade onde a ação atinge o seu ápice, quando o corpo perseguido escapa e busca sua liberdade em um novo local, fora deste território previamente criado.
Abre-se uma brecha para o novo, o inusitado, a pausa. Não há mais som, movimento, caçada. As três performers abrem-se para o momento presente e o final permite ao público penetrar nesta suspensão da ação, onde não se pré-determina o que vai acontecer.
Em Tambor discutimos desde outra perspectiva as concepções de corpo / espaço / tempo / presença pesquisadas pelo coletivo. Também geramos documentos no deslocamento hoptic to hapitc e vice-versa, e pelas apresentações em dois distintos lugares embaralhamos nossas próprias referências sensoriais em novas cartografias afetivas.
Exploramos as percepções ambientais, o “dar a ver” conforme Didi-Huberman, ajudando-nos a perceber na discussão sobre a aura benjaminiana e a imagem dialética, como toda visão efetua-se algures no espaço tátil.[5]
Se “dar a ver é inquietar o ver”, tivemos extremo cuidado para que o Tambor mantivesse sua proposta enquanto uma performance, não uma representação. Na sua carga histórica-social-política os deslocamentos humanos apontados tais como as diásporas históricas e contemporâneas, interagem com a experiência de ação. Geramos no Tambor movimentos da emoção, no terreno das novas sensibilidades que nos permite ‘navegar’ por entre diversos sentidos da função da pele, entre nós e o ambiente, estendendo nossos corpos para sentir seu próprio movimento no espaço. Tivemos a experiência direta da reconfiguração do espaço de recepção, uma vez que o local de apresentação requereu rearranjos cenográficos. A intensa emoção que o trabalho convoca, da parte das performers e de público potencializa o espaço urbano/ social. A recuperação da ação convoca o outro à presença, estabelecendo experiência compartilhada
Também indicamos o ‘novo efêmero que quer ser memória’ – abrindo a discussão sobre o registro da performance e sua validade enquanto arte do efêmero. Diferenças marcantes entre os dois registros em vídeo: o registro quase performático do segundo vídeo - o olhar do performer enquanto registra a ação – sujeito da ação – o corpo-câmera na performance. O processo de documentação (vídeo e fotografia) parte do registro como elemento de documento de si, de como o grupo se auto-representa.
Trata-se da busca de ferramentas para os nosso conceitos artísticos diante de uma lógica criativa (construção e desconstrução) para a performance. Não se pretende que essas imagens sejam já operadoras – isto é, que relacionem entre o todo e as partes, entre uma visibilidade e um poder de significação, entre expectativas e o que acontece para satisfazê-la, como um filme de Bresson (no sentido de Rancière). Apenas é um caminho onde as formas visíveis carregam um significado a ser construído ou subtraído em nossa pesquisa doravante. O movimento de câmera antecipa o espetáculo Tambor, mas nos revela outro diferente que ainda temos que colocar como imagens artísticas ou não, e mais ainda, enfrentar o regime de imagens e sua alteridade identitária. Como nos diz Rancière (2007), “a imagem é tripla: imagem, semelhança e hiper-semelhança”.
A performance Tambor coloca-nos diante do conceito de corpo-presença ao vivo, entre conceitos das artes visuais (corpo imaginarizado) e as artes cênicas (corpo treinado). Para nós, esses registros nos auxiliam efetivamente no processo de pesquisa[6] também de uma performance da memória das lacunas.
Body, performance (ação ) e live– ao vivo traduzem os conceitos operacionais de mais que um gênero, é uma ação política e visa um destinatário. Enfim Tambor fala de um tema atual e discute estas trajetórias entre continentes, as imigrações e seus variados motivos, tendo como ponto de partida a questão das africanidades contida em cada cidadão brasileiro, sendo ele de origem africana ou não.
[1] Todas componentes do GEPERFORMANCEPOA. Fernanda Stein, formada em Ciências Sociais , bailarina clássica e formada no Martha Graham School of Contemporary Dance, (NY) e no Instituto Internacional da Marionete - Charlesville – Mèziére (France), coordenadora pedagógica do Espaço Meme, Centro Experimental do Movimento; Patrícia Soso, formada em Ciências Jurídicas , atriz formada pela Scuola di Teatro Arsenale, em Milão/Itália; Niura Borges, Mestre em Artes Visuais (UFRGS), Especialista em Artes Visuais (FEEVALE); Rosemary F. Brum, Mestre em Sociologia (UFRGS) e Dra. em História (PUCRS), vice-líder do grupo de Pesquisa do CNPq Interartes: processos interartísticos e estudos de performance, cujo líder é Márcio Pizarro Noronha (UFG).
[2] Foi realizada inicialmente para o Curso de Extensão em História: Africanidades: história, arte e cultura promoção do Núcleo de pesquisa em História do IFCH/UFRGS, em 2009. E realizado no Memorial do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Posteriormente reapresentado em 2010 no Odomodê - Instituto Cultural Afro-Sul, Porto Alegre.
[3] Mantendo a mesma disposição, no ambiente da segunda apresentação, no Odomodê, talvez por ser um espaço descontraído e local de vivência da cultura religiosa, as pessoas que assistiam estendiam as mãos e benziam-se com a areia que escorria das mãos de uma das performer.
[4] Estabelecemos essa geografia sensível e relacional, nos termos de BRUNO, Giuliana, Atlas of Emotion. Journeys in Art, Architecture, and Film. Verso:London, 2007. A percepção que gerou o conceito haptic deve-se à Alois Riegl. Também construímos o trabalho com BOURRIAUD, Nicolas. Relational Aesthetics.Les presses du reel.Paris, 2002. RANCIÈRE, Jacques.The future of the image. Verso:Londres, 2007. COSTELLO, Diarmuid; WILLSDON, Dominic. The life and death of images. Ethics and Aesthetics. Tate:London. 2008.
[5] Merleau-Ponty in DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Editora 34, 1998. p.177.
[6] Aqui agradecemos ao prof. Dr. Marcio Noronha, em curso ministrado em Porto Alegre , RS, Brasil, em 2009, no Espaço Centro de Pesquisa do Movimento - MEME, coordenado pelo bailarino e coreógrafo Paulo Guimaraes.
Assinar:
Postagens (Atom)


